Dia miserável - Pt 2
Difícil tentar expressar em palavras o que eu to sentindo, mas eu vou tentar, porque realmente minha cabeça dói de tanto pensar nisso tudo, e não sei se alguma hora vai passar.
As lágrimas em meus olhos são constantes companheiras nesses dias cinzas de solidão. Eu me vejo sozinha, triste, e com o pouco de vida que ainda me resta escapando dos meus dedos. Entendam, isso não é a realidade, mas é o que meu coração está sentindo nesse momento.
Amigas minhas compartilham momentos de pura alegria, e eu não consigo nem sentir o gosto disso. Estou tão fraca, tão pálida, tão triste... Não tenho apetite, não tenho vontade de usar drogas, de me embebedar ou de sair. O mundo está preto e branco, totalmente as escuras.
Eu senti assim da última vez. Apesar de ter sido eu que causei a última avalanche, acho que boa parte do peso caiu sobre mim, e eu não esperava isso.
É horrível você imaginar a vida como um desenho triste e ao mesmo tempo feliz de Toulouse-Lautrec, quando ele pintava o Moulin Rouge. Meu mundo é um grande quadro borrado em que todos dançam com expressão de tristeza e pesar.Meu coração está pesado, doído, e minha garganta possui um nó. Às vezes penso se isso é o tão chamado amor, que a gente sente uma dor incrível no seu estômago só por não saber como as coisas serão.
Todos os alicerces que antes eu firmei ruíram em um único fim de semana. com uma única pessoa, por causa de uma única razão.
Eu queria que todos os novos fatos não tivessem ocorrido, que eu não soubesse de tudo que aconteceu, e que tudo fosse diferente. Eu estou apavorada, com medo, aterrorizada, mas esse medo não me contém, ele me faz curiosa para ver o que vem a seguir.
Parece que estou num jogo de tênis, em que uma vez eu lancei a bola, da outra me lançaram de volta, e assim foi... Será que algum dia esse jogo vai terminar?
Eu estive com pessoas durante todo esse meu tempo terminada, mulheres e homens, de diferentes tipos. Arrisco a dizer que magoei alguns, mas não foi sem propósito. Jamais eu fui com a ilusão de que poderia substituir alguém por outro, porque isso não existe, esse coração maldito teima em ser fiel nos propósitos, mesmo quando a minha mente diz que não.
Eu tenho muito, eu sei. Tenho amigos, uma casa, uma cidade legal, boa condição, mas está tudo sem valia por esses dias. Eu renunciei há algum tempo a um relacionamento porque não queria magoar a pessoa que eu amava, e quem mais se magoou fui eu. Eu cometi muitos erros, erros esses que estavam pesando, e eu não poderia continuar enganando a mim mesma. Eu terminei por amor, ridículo dizer isso. Não é a primeira vez que eu me estrepo por tentar ajudar os outros, mas não sei se serei eu a fazê-la feliz. Acho que eu jamais vou conseguir fazer uma alma viva feliz...
Eu sou obstinada, mas diante de tanta dor, eu fraquejo. Queria que o mundo não existisse, que tudo fosse apenas um sonho que eu pudesse esquecer e passar por cima. Sinto que não conseguirei prosseguir tão cedo, e que minhas forças vão me faltar a qualquer momento e que eu vou cair pra nunca mais levantar. Se isso, algum dia ocorrer, não será por covardia, mas por ausência de força, que me foi tirada, sugada, por um coração maior do que deveria ser.
As vezes penso que sou mais um peso morto nesse mundo, e que muita gente estaria muito mais feliz sem eu por perto; está aí uma coisa a se pensar.
Eu queria ter a certeza de que ser exagerada, boba, sem escrúpulos fosse adiantar. Mas na minha vida, atualmente, o pouco que me resta, os meros tostões em meu bolso, a cara pálida na minha face e as dores excruciantes no meu peito e no meu estômago ainda não roubaram meu último sopro de vida e me levaram embora, como uma mera lembrança, algo para se pensar ao olhar um lago calmo no verão.
Eu não sou ninguém, e essa é a verdade. Eu me sinto como ninguém, e durante todo esse tempo sem ela, essa era a única certeza que eu tinha, e que agora se confirmou. Eu sou um nada sem expressão, sem amor, sem vida, sem nada que valha a pena.
Prefiro me atirar e passar fome nessa próxima semana, ficar sem um tostão furado e sem nada para me apegar, porque se não for agora, terei as últimas lembranças de uma vida que um dia valeu a pena viver, e não só uma mera existência.
Não te peço nada, meu amor, a não ser minutos do seu tempo em que eu posso pelo menos chorar baixinho ao lado, sentindo o cheiro dos seus cabelos e o seu toque aveludado. Não posso pedir mais, e sejamos realistas, isso é tudo que você vai me dar, como uma lição que fica gravada na memória. E quanto mais dor eu tiver, mais miserável eu for, melhor, por merecimento.
Quem leu até aqui, só peço mais atenção aos que amam. Não se deixem enganar pelo brilho dourado do ouro ou pelas diferenças entre vocês. Isso existe, sim, mas não é o mais importante.
Eu não me amo mais, já faz um tempo, esqueci de mim, e não vejo mais beleza em nada meu. Não esperem até sua vida esvair até esse ponto, ajam, enquanto é tempo. Não morram em vão. É preciso deixar memória, e isso, nem eu tenho mais...
Vou indo, estou chorando demais. A dor continua muito ruim e não sei como vou conseguir dormir ou acordar, tudo é tristeza e dor, mas se de nada adiantar, temos sempre um recurso final.
Deixo aqui meu Adeus, não sem antes tentar. Antes do fim, ainda ouvirão notícias minhas.
Até mais.

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