Jeremy spoke in class today

Limousine e grana suja meu amor.

quinta-feira, abril 19, 2007

Meia morte

Hoje é um dia para escrever, sem parar até meus dedos calejarem.
O que sinto agora, precisa ser traduzido, de alguma forma para o exterior, o além de mim.
Sinto um profundo pesar como se alguma morte assolasse minha casa, no entanto, parte de mim foi que morreu.
É difícil entender quando você morre, que aquilo tem que ser deixado de lado por você, para que a natureza cuide e restruture tudo. E quando é uma parte de você que morreu, torna-se mais difícil ainda, pois não se enterra por completo, mas se vela meio corpo, ou meia alma.
E quem convidar para tão ilustre ocasião e que irá entender tal morte, metade de morte, metade de mim?
Os amigos, de tão poucos, nem convites impressos precisam ser feitos. Os parentes, de tamanho descaso com minha meia morte não se dão ao trabalho de comparecer, e os amores, para eles tanto faz como tanto fez morrer, pois preferem que o de fora morra para enterrar o que tem dentro de si. Assim, nada mais resta do que me convidar para o meu velório. Sem flores, sem margaridas. As fofocas ficam retidas dentro de mim, e eu só comento comigo mesma que tamanha perda aconteceu.
Não sei se morri muito jovem, ou se já estava velha, a questão é que algo morreu, e está fazendo falta para a metade viva, mas os vivos não aceitam tal morte.
Lembro-me bem, com a minha metade de memória viva, quando comprei um desfribrilador por precaução. Usei-o bastante, mas no fim, os choques não produziam mais efeito e só matavam mais e mais partes vivas, aumentando meu 1/4 morto para 1/3. Era o começo do fim.
Agora, que estou no meio do fim, cheguei a conclusão que é inútil evitar a morte, e que devo estar preparada para quando ela vier, seja voluntária, ou involuntária.
A percepção com relação a morte, por outros, só irá realmente ter efeito quando o todo for morto, e não metade, como ocorre.
Tu, leitor, que não entendes minha revolta com a pouca morte, também não entendes o que é morrer para si, e velar a si e enterrar-se até a cintura, não havendo mais escapatória.
A areia movediça em que me encontro, é por demais densa e não me dá passagem.
Dentro de mais uma metade de vida, terei ido por completo.
E você, irá notar que já não será mais a metade, e sim o todo que diz adeus?

0 Comentários:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial