Jeremy spoke in class today

Limousine e grana suja meu amor.

sábado, julho 07, 2007

O Sonho e a Morte

São 00:24. Eu preferia que houvesse um aviso quando ela chegasse em casa, com uma câmera bem posicionada, pra mostrar que ela estava sozinha e que iria finalmente dormir, podendo me dar paz no meu sono. Mas não há.
As palavras do meu irmão ecoam na minha mente, dia após dia. Aquela frase: "Está tudo bem. Está tudo bem até demais."
Se eu não fosse irmã dele, eu não compreenderia. Agora, lendo Sandman, eu compreendo Sonho e Morte, e que nada pode apagar isso. Mas infelizmente, ou felizmente, eu não posso ser a codjuvante que vai tirar ela de campo dessa vez. Ele tem de fazer isso. Nós, os virginianos, relutamos em sermos felizes, porque não acreditamos realmente que essa baboseira toda existe. Se você gosta de alguém, está fadado ao limite máximo de 2 anos, que é quanto uma paixão pode durar. Eu o entendo.
Na época, eu sorri, e fui cúmplice, mas uma vez experimentada a alegria da vítima, eu não posso mais cometer crimes como aquele. Não posso fazer isso com ela, e ele tem que ser homem o bastante para fazê-lo, e ele vai, e tudo vai cair nas minhas costas de novo, e uma vez que isso acontecer, eu vou ser obrigada a ajudá-lo, porque eu, direta ou indiretamente, fui a causadora de tudo. Nós fomos, eu e ele, por todos as vezes que nós não cedemos aos nossos desejos, e deixamos isso guardado, como uma justificativa latente do que precisasse ser justificado futuramente. A gente se prometeu sem saber, somos culpados sem nem precisar cometermos crimes. E no fim, eu o destruirei, e ele me destruirá. Nós teríamos nosso mundo a parte, e ninguém tolera isso. Eu seria a culpada mesmo sem ter nada feito, e é claro que ele vai me defender, mas eu sou a culpada. E já não posso mais escolher entre ter a culpa ou não, isso já ficou implícito.
Se ao menos Sonho tivesse se rendido a Morte, ou a Morte ao Sonho, na hora devida... Hoje tudo poderia ser diferente, mas ainda é preciso a prova, é preciso o testemunho, porque senão Morte e Sonho nunca se separarão, eles estarão juntos para a sempre, com a culpa subliminar. Me desculpe, desde já, vítima. O futuro é sombrio, mas não se pode confiar no Sonho, ele nunca está satisfeito.
Eu não queria que tudo fosse assim, eu queria viver pra sempre esses últimos 3 meses da minha vida que eu vivi. Eu amo intensamente, vivo tudo, experimento de tudo, ela me completa, e eu já me acostumei. Merda! A Morte nunca fica num lugar por muito tempo...
É como aquele filme "Encontro Marcado", em que a Morte vai buscar homem e se apaixona pela filha dele. No fim, a Morte tem que escolher entre ficar sozinha e sofrer e deixar a mulher feliz, ou então deixar de vez seu trabalho e viver com ela. Mas a Morte jamais seria a Morte sem o ato de matar, de ceifador, de condutor das almas. Se a Morte cede ao amor, ela perde sua razão de existência. Pobre Morte.
O Sonho nunca está satisfeito, a Morte nunca pára. Não é atoa que nos chamam de Perpétuos. É para sempre, é sina. Você pode até tentar ser feliz, e conseguir por algum tempo, mas algo virá e destruirá tudo, porque é a lei do mundo para a Morte e o Sonho. Um entende a destruição do outro, e se compadece, e estende seus ombros, braços, pernas, bocas, e o que mais para poder saciar um ao outro. Merda de novo!
I was having a ball. Não estou mais. Merda! ¬¬ A Morte nunca pode parar, e eu não vou. Vou deixar ela ser feliz, e eu vou sofrer. É melhor do que eu me fechar e ela nunca ser feliz. Ela merece mais que eu, ela precisa mais que eu, eu me recupero, eu tenho um trabalho a desempenhar, lugares para ir, e o mundo não vai ser bom para mim quanto é para ela, ele vai exigir meu trabalho, sempre. Porque a Morte nunca pára.
Que venha o sofrimento, porque depois o Sonho aplaca todo ele e me faz dormir, sempre que eu precisar. Mais uma vez, me desculpe vítima, desde já. Eu não quero, mas vou. E não é por maldade, será necessidade, e ele será devolvido, como ele foi da última vez.

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